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Marcas indeléveis nas famílias

Um ano depois do surgimento da Covid-19, grande parte das famílias angolanas vê-se ainda mergulhada num poço de dificuldades que aumentam a sua situação de pobreza monetária e multidimensional.

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Fotografia
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Arquivo e DR

Em meio à crise financeira e à Covid-19, há quem encontre oportunidades para renovar a esperança que ainda parece moribunda. André Monteiro Ucuhamba é um dos angolanos que ponderam abandonar a sua actividade profissional central por causa da precariedade do salário que há muito que não cobre o custo de vida que ascende a cada dia. O professor, de 29 anos, lecciona a disciplina de Informática desde 2014 e diz estar disposto a abdicar desse trabalho para voltar ao serviço de táxi.

“A nossa vida enquanto família regrediu com o surgimento da Covid-19”, explicou, acrescentando que os colaboradores do sector do ensino privado ficaram “estagnados em casa e, pior, sem remuneração”.

Já António Canjinji, 27 anos, pai de dois filhos, revelou que antes da pandemia ganhava a vida através do seu próprio negócio (um cyber café) e preparava-se para abrir outros estabelecimentos, mas não só teve de recuar, como viu o seu negócio falido. No auge das dificuldades, para sobreviver, teve de aceitar um trabalho como ajudante de carpintaria. “Logicamente que a minha vida e a da minha família foram afectadas negativamente com esta pandemia. Vi o meu estabelecimento fechar e não sabia realmente onde e como conseguir o sustento diário”, recordou.

Confrontado com a difícil situação que o colocou num “beco sem saída”, o jovem que detém muitas valências técnico-profissionais sujeitou-se, em 2020, a receber uma remuneração de apenas 500 kwanzas por dia, muito aquém das necessidades básicas se se considerarem os custos com transportes, água potável, energia eléctrica e alimentação. “Aceitei a condição e só assim fui readmitido como ajudante de carpintaria”, disse.

Oportunidade em plena crise pandémica

A jornalista Leonarda Inguila, à semelhança de muitos jovens angolanos, encarava o actual contexto de forma negativa. Entretanto, e estando sem emprego, decidiu-se a iniciar um pequeno negócio. “Eu também vivi dificuldades”, sublinhou, realçando que teve de se “redescobrir como empreendedora” e criou sete postos de trabalho para outras mulheres, confeccionando e servindo refeições para eventos diversos.

O projecto começou em Janeiro de 2021 e, segundo a empreendedora, já deu retornos financeiros equivalentes a 30% do total investido. “As encomendas variam. Há meses que temos cinco e outros, o dobro do serviço, e assim vamos”, explicou. O negócio forjado em tempos difíceis também consiste na venda ambulante de refeições no distrito urbano do Zango, no município de Viana, em Luanda. Por dia, fez saber, podem ser vendidas cerca de 50 tigelas de refeições, a 350 kwanzas por unidade, que resulta numa arrecadação diária de 17.500 kwanzas.

Quem também viu oportunidade para criar um negócio é Nuno Adriano dos Santos, que se decidiu a refazer a forma de auto-sustentar. Abandonou o serviço de táxi, com que, antes da pandemia, lucrava muito mais, em detrimento de um pequeno bar. “Fui um dos afectados pelas consequências da Covid-19. Em Março de 2020, quando surgiu a pandemia, a rentabilidade do serviço de táxi baixou muito e piorou com a limitação do número de passageiros”, revelou.

Nuno dos Santos adaptou um compartimento de casa para criar o bar, no Morro Bento, distrito da Samba, onde instalou mobiliário com utensílios reciclados. O pouco que consegue arrecadar, afirmou, tem ajudado a atenuar as despesas de casa, onde vive com a sua mãe, irmãos e sobrinhos.

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Permanent impact on the families

One year upon the emergence of Covid-19, most Angolan families still find themselves plunged into many difficulties, which increase their monetary and multidimensional poverty.

Amid this financial crisis and Covid-19, some people are finding opportunities to renew their hope, though still fading. André Monteiro Ucuamba is one of the Angolans who is considering abandoning his core job due the low wage he is receiving for a long time, which does not cover the ever-increasing daily cost of living. He is a 29-year-old teacher and teaches computing since 2014. He is inclined to quit this job and resume his taxi-driving activity.

“My quality of life and that of my family has declined with the emergence of Covid-19” he said, adding that private schools' teachers "are stuck at home and, even worse, without remuneration", he adds.

While António Canjinji, a 27-year-old father of two children said that before the pandemic he earned his living managing his own business (a cyber cafe) and was getting ready to open other business units. He was not only bound to quit but also his business went bankrupt. As difficulties increased, in order to make his living he was forced to accept the apprentice carpenter job. "Obviously, my life and that of my family have been adversely affected by this pandemic. My business failed. and I did not know where and how to get my daily subsistence", he stated.

Facing this challenge, under a deadlock situation, this young man who holds many professional technical qualifications was forced to accept a daily pay of 500 Kwanzas in 2020, which fell short of his needs, considering his costs with transportation, drinkable water, power, and food. "I accepted the job, and I was re-hired as an apprentice carpenter", he said.

Job Opportunities during this pandemic

Journalist Leonarda Inguila, like many Angolan youths, viewed the current situation in a negative way. However, being jobless, she decided to open a small business. "I also experienced many hardships", she said, and stressed that she had to rediscover her entrepreneurial spark", and created six jobs for other women, which consisted of cooking and serving meals for various events.

The project started in January 2021, and she has already earned 30% of total capital invested, she said. "The orders vary. Some months we receive five orders, and others the double of it and we keep moving on", she pointed out. The business created in these challenging times also includes itinerant sale of meals in the district of Zango, Viana municipality, in Luanda. They can sell around 50 bowls of meals for 350 Kwanzas per unit, per day. As a result, they have a daily income of 17,500 Kwanzas.

Nuno Adriano dos Santos also saw opportunity to open a business. He decided to choose another way for making a living. He quit the taxi driving service, which was a more profitable job before the pandemic, and opened a small bar. "I was affected by Covid-19 adverse consequences. In March 2020, when the pandemic arose, taxi service profitability declined significantly and worsened with the limitation of the number of passengers", he revealed.

He has adapted a compartment of his home to create a bar, at Morro Bento, Samba district, and equipped it with recycled utensils. The little money he can earn is helping him mitigate his household expenses, which includes his mother, brothers, and nephews.

Read the full article in the April issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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