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Produzir, reciclar e criar rendimentos

O quarto maior negócio no mundo, a reciclagem do lixo, continua a ser desperdiçado em Angola.

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José Zangui
Fotografia
:
Carlos Aguiar
José Zangui

O Governo gasta rios de dinheiro para a limpeza e saneamento básico das cidades, porém sem impacto na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

O lixo não deve gastar dinheiro, mas, sim, gerar dinheiro, concordam administradores municipais e especialistas em Ambiente, contactados pela Economia & Mercado. As fontes defendem “a cientificidade no tratamento do lixo”, bem como o processo de separação dos resíduos sólidos, um passo indispensável para uma gestão mais ecológica e economicamente sustentável.

De acordo com o ambientalista José Silva, noutras geografias, o lixo é riqueza disputada por empresas de topo. Aliás, referiu, não é por acaso que é considerado o quarto maior negócio do mundo. Em Angola, o negócio ainda não dá grandes lucros a quem aposte na reciclagem, em vez da simples recolha e depósito em aterro sanitário, mas já vai ganhando espaço.

O administrador de Cacuaco, Auxilio Jacob, avançou que, a partir de Abril, vai implementar, no seu município, o modelo de separação de lixo, ou seja, os munícipes passarão a colocar o lixo à porta para ser recolhido por cooperativas que vão levar até aos pontos de transferência, onde passará a ser separado e levado ao aterro sanitário pelas grandes operadoras. Os resíduos sólidos reciclados serão vendidos aos interessados.

Conforme Auxilio Jacob, em Cacuaco já existem empresas de reciclagem que compram plásticos, bronze e vidro e a reciclagem já começa a ser vista como negócio. Aliás, é naquele município onde está a Vidrul, uma das principais compradoras de garrafas de vidro no país.

Enquanto o Governo Provincial de Luanda e as operadoras andam “zangados”, há pequenas iniciativas empresariais, algumas delas alimentadas por centenas de famílias de baixa renda, que procuram, diariamente, por objectos recicláveis para a venda e subsistência. São crianças, senhoras, velhos e portadores de deficiência que “disputam” objectos aparentemente sem valor.

Com capacidade para transformar até 1,2 toneladas de plástico por hora, a fábrica Ango-Reciclagem, em Luanda, está a produzir apenas num único período e com muitas limitações, por escassez de matéria-prima.  Apesar de abundante nas ruas do país, o plástico usado não chega à fábrica nas quantidades necessárias.

Leia o artigo completo na edição de Março, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

Producing, recycling, and generating income

The fourth largest business in the world, waste recycling, continues to be wasted in Angola.

The Government spends large sums of money for cleaning and basic sanitation of the cities, but without any impact on the improvement of its citizens’ quality of life.

The municipal administrators and specialists on environmental matters, contacted by the Economia & Mercado, agree that waste should not spend money, but rather generate it. The sources defend "a science-based waste treatment" as well as a solid waste segregation process, as an indispensable step towards a management that is more ecologically and economically sustainable.

According to José Silva, environmentalist, in other locations, waste is a wealth competed by top companies. In fact, he said, it is not by chance that it is considered as the fourth largest business in the world. In Angola, the business does not yet generate a lot of profits to those investing on recycling, instead of simply collecting and dumping waste in landfills, but it is already gaining space.

The administrator of Cacuaco, Auxilio Jacob, said that, as of April, he will implement, in his municipality, a waste segregation model in which citizens will place their waste at the door to be collected by cooperatives that will in turn take to transfer points, where it will be segregated and transported to the landfill by the major operators. The recycled solid waste will be sold to those who show interest.

According to Auxilio Jacob, in Cacuaco there are already recycling companies that buy plastics, bronze and glass and recycling is starting to be seen as a business. In fact, it is in that municipality where Vidrul, one of the main buyers of glass bottles in the country, is located.

While the Provincial Government of Luanda and the operators are “angry with each other”, there are small business initiatives, some of which fed by hundreds of low-income families that look for recyclable objects every day for sale and subsistence. They are children, women, old people, and people with disabilities who “fight” for objects that seemingly are worthless.

With a capacity to transform up to 1.2 tons of plastic per hour, the Ango-Reciclagem plant, in Luanda, is producing only in a single period of the day and with too many limitations, due to a shortage of raw material. Despite being abundant across the streets of the country, the required quantities of used plastic do not reach the plant.

Read the full article in the March issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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