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Telecomunicações são um trampolim para a economia digital

Em Angola, a digitalização da economia encontra-se ainda numa fase embrionária, ocupando o país o lugar número 132 no ranking do comércio electrónico mundial.

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Cláudio Gomes
Fotografia
:
ISTOCKPHOTO
Cláudio Gomes

No entender dos entrevistados, o reforço nos investimentos em telecomunicações e serviços digitais será um trampolim para a aceleração da economia digital.

Para Francisco Pinto Leite, director-geral da ITA, apesar da margem de crescimento que se vem registando nos últimos anos, ainda há um longo caminho a percorrer no que às infra-estruturas de telecomunicações diz respeito. Segundo o gestor, não é por acaso que apenas as principais cidades de Angola, do Litoral e do Centro Sul, têm as mínimas infra-estruturas de telecomunicações para o suporte do comércio electrónico e das aplicações relacionadas com as fintech. “Quando nos aproximamos do interior e leste do país, nota-se, porém, muito mais dificuldades neste sentido”, afirmou, considerando que as principais limitações em termos de infra-estruturas “são os sistemas de transmissão em fibra óptica para Luanda”.

De acordo com este entrevistado, a capital do país “é centro das redes de telecomunicações em Angola”. “É na capital do país onde existem os Data Centers que alojam os servidores com os aplicativos para o e-commerce e soluções de fintech. Quando não estão alojados em Luanda, estão no exterior de Angola, porém, também neste caso, as ligações do interior do país passam por Luanda para saírem para o exterior”, explicou, sublinhando que todos os gateways internacionais de Angola se situam em Luanda.

Complementaridade de serviços

O director-geral da ITA, empresa que detém um dos maiores e mais modernos Data Centers do país, acredita ter-se investido, nos últimos 15 anos, em projectos da rede de fibra óptica feitos pelos diversos operadores, num total muito superior aos 22.000 quilómetros oficialmente divulgados. Porém, Francisco Pinto Leite considera que em termos de cobertura geográfica actual, a rede de fibra óptica em Angola não é seguramente superior a 10.000 quilómetros, o que representa uma carência, tendo em conta a extensão do país.

No entender do especialista, existe muita sobreposição de operadores nas mesmas rotas. Porém, com o objectivo de melhorar a qualidade dos serviços prestados e promover o surgimento de novas soluções digitais, defende a complementaridade das várias redes, de modo a formarem anéis nacionais para a criação de caminhos redundantes. O mesmo deve ocorrer no interior das principais cidades, além da necessidade de se aumentar a capilaridade das redes de fibra. De acordo com o entrevistado, a rede básica de fibra óptica ainda condiciona muito o surgimento ou a consolidação da chamada “economia digital em Angola”. Citou, porém, outros obstáculos, como a falta de quadros angolanos com o necessário conhecimento e experiência para projectarem, implementarem e manterem os vários sistemas tecnológicos de suporte da economia digital.

Na mesma linha de pensamento, Magnus Suama, consultor de tecnologias de informação, defende uma maior partilha das infra-estruturas, bem como a descentralização do upstream, ou seja, das actividades dos grandes fornecedores de bens e serviços, de modo a gerar maior inclusão e competitividade no mercado. “Acredito que acabaria por baixar o elevado custo de produção de serviços que se reflecte nos consumidores finais”, considerou.

O especialista, que reconhece as insuficiências do sector, considera existir um potencial muito grande no que à oferta e consumo de soluções digitais diz respeito. Para este especialista, os mais de 14 milhões de utilizadores da rede móvel e os mais de 6,9 milhões de utilizadores de Internet no país levantam a hipótese de existir, efectivamente, um mercado emergente em termos de comércio electrónico.

“O número de utilizadores de serviços de Internet e da rede de telefonia móvel representa a existência de um mercado digital. Pesquisas referem que cada usuário de Internet e de telemóvel, efectua, por ano, compras no equivalente a 100 dólares dentro do ecossistema electrónico”, referiu, tendo acrescentado que Angola dispõe de condições infra-estruturais de telecomunicações capazes de fazer face à procura de soluções digitais a que hoje se assiste.

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Telecommunications are a springboard for the digital economy

In Angola, the digitalization of the economy is still in an embryonic phase, with the country occupying the 132nd position in the world e-commerce ranking, behind African countries such as Cameroon (101), Botswana (100), Uganda (99) and Kenya (89). In the opinion of the interviewees, strengthening investments in telecommunications and digital services will be a springboard for the acceleration of the digital economy.

For Francisco Pinto Leite, ITA general-manager, despite the margin for growth in recent years there is still a long way to go as far as infrastructure is concerned. According to the manager, it is not by chance that only the main cities of Angola, located along the coast and in the central highlands, have the minimum infrastructures to support e-commerce and fintech applications. “In the interior and east of the country, infrastructure is scarce,” he said, considering that the main infrastructure limitations “are the fiber optic systems to Luanda”.

In his opinion, the country’s capital “is the center of telecommunications networks in Angola”. “The data centers hosting the servers with the applications for e-commerce and fintech solutions are all in the capital. When they are not hosted in Luanda, they are outside Angola, but also in this case, the connections from the interior of the country pass through Luanda to go abroad,” he explained, underlining that all international gateways in Angola are located in Luanda.

Complementarity of services

ITA’s general-manager, the company that owns one of the largest and most modern data centers in the country, believes that, in the last 15 years, the various market operators have made investments in fiber optic network projects in value well above the 22,000 kilometers officially disclosed. However, Francisco Pinto Leite considers that, in terms of current geographic coverage, the fiber optic network in Angola is certainly not more than 10,000 kilometers, representing a shortage given the size of the country.

According to the expert, there is a lot of operators overlapping on the same routes. Nevertheless, to improve the quality of services provided and promote the emergence of new digital solutions, he supports the complementarity of the various networks in order to form national rings for the creation of redundant paths. The same should occur within the major cities, in addition to the need to increase the capillarity of fiber networks. He adds that the basic fiber optic network still limits the emergence or consolidation of the so-called “digital economy in Angola”. And there are other obstacles: the lack of Angolan personnel with the necessary know-how and experience to design, implement and maintain the various technological systems to support the digital economy.

Thinking along the same lines, Magnus Suama, an IT consultant, advocates greater sharing of infrastructure, as well as the decentralization of upstream activities, i.e., the activities of major suppliers of goods and services, in order to generate greater inclusion and competitiveness in the market. “I believe that it would eventually lower the high cost of producing services that is reflected on final consumers,” he said.

The expert, who acknowledges the sector’s shortcomings, considers that there is a great potential for supplying and consuming digital solutions. In his view, the more than 14 million mobile network users and the more than 6.9 million Internet users in the country raise the chances of an emerging e-commerce market.

“The number of Internet service and mobile phone network users represents the existence of a digital market. Surveys indicate that each Internet and cell phone user makes purchases equivalent to 100 dollars per year within the electronic ecosystem,” he said, adding that Angola has the telecommunications infrastructure conditions to cope with the demand for digital solutions that we see today. “I’m sure it does.

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