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Um ano de recuos e asfixia económica e social

Depois de se terem reportado os dois primeiros casos em Março de 2020, a taxa de crescimento por infecção apresentou uma variação moderada.

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Fotografia
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ISTOCKPHOTO

Registados os dois primeiros casos de Covid-19 em Angola, o Governo apressou-se em definir medidas restritivas fortes que vieram a mostrar-se bastante desafiantes sobre a evolução da economia em 2020, sendo que o Banco Mundial aponta Angola como um dos países que apresentaram um índice de estringência elevado.

A declaração do Estado de Emergência pelo Presidente da República, no dia 27 de Março de 2020, e todas as medidas que lhe acompanharam, traduziram-se em consequências concretas sobre o nível de pobreza no país, na capacidade de mobilidade de poupanças para financiar a recuperação da economia, na manutenção das perspectivas sobre a execução do Programa de Estabilização Macroeconómica e na execução do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN-2018-2022).

Os impactos da Covid-19 ainda estão por se apurar. Não apenas pelo facto de o vírus manter-se activo, mas também, acima de tudo, porque ainda estão por publicar relevantes dados sobre as contas nacionais que possam dar melhor compreensão sobre os custos reais e efectivos da pandemia em Angola. Porém, já é possível descortinar-se algumas tendências que marcaram a capacidade de produção do país, que pressionaram a evolução das contas públicas e externas de Angola, e a tendência da política monetária, bem como a consequente evolução dos níveis de preços.

Primeiro, a nível da capacidade de produção do país, registou-se uma redução expressiva. Depois de quatro anos consecutivos de contracção, as perspectivas apontavam para uma recuperação da economia na ordem dos 1,8% do PIB em 2020, com destaque para o sector petrolífero, que deveria crescer 1,5%, e o não-petrolífero, que poderia apresentar uma recuperação de 1,9%, de acordo com as estimativas do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020.

Com a propagação da Covid-19 e a redução da capacidade de produção - que poderá ter-se fixado abaixo dos 70%, o equivalente a dois meses de confinamento total -, a economia apurou a sua quinta contracção consecutiva ao registar uma taxa de crescimento negativa de 5,1%, conforme as últimas estimativas do Governo.

Este desempenho, e em linha com as estimativas do Banco Nacional de Angola (BNA), contribuiu para que o país pudesse perder entre 2019 e 2020 perto de USD 25 778,29 milhões, ao produzir apenas USD 58 441,38 milhões do PIB total. Neste nível de produção, Angola recuou para os níveis do PIB registado em 2007, altura em que produziu apenas USD 62 292 milhões do PIB.

Com efeito, e de acordo com as estimativas do Banco Mundial, pelo menos 1,5 milhões de angolanos foram empurrados a viver abaixo da linha da pobreza, internacionalmente definida em 1,9 USD/dia, fazendo que, para 2021, a cifra atinja os 18 milhões de angolanos abaixo da linha da pobreza, o equivalente a 56,4% da população. Essa tendência deverá manter-se até pelo menos 2022, o que poderá reflectir sobre os efeitos permanentes que a redução dos níveis de produção e a manutenção de elevada taxa de crescimento da população poderão causar ao país.

Leia o artigo completo na edição de Abril, já disponível no aplicativo E&M para Android e em login (appeconomiaemercado.com).

A year of setbacks and economic and social asphyxia

About a year ago, Covid-19 ‘knocked’ on our door. After the first two cases were reported in March 2020, the growth rate per infection showed a moderate variation, but the negative economic-social effects are yet to be ascertained.

After the first two cases of Covid-19 were registered in Angola, the government hastened to define strong restrictive measures that have proven to be quite challenging on the evolution of the economy in 2020, with the World Bank pointing to Angola as one of the countries with a high stress index.

The declaration of the State of Emergency by the President of the Republic on March 27, 2020, and all the measures that accompanied it, led concrete consequences on the level of poverty in the country, capacity for mobility of savings to finance the recovery of the economy, maintaining the prospects on the execution of the Macroeconomic Stabilization Program and on the execution of the National Development Plan (NDP-2018-2022).

The impacts of Covid-19 have yet to be determined. Not only because the virus is still active, but also, above all, because relevant data on national accounts that could give a better understanding of the actual and effective costs of the pandemic in Angola have yet to be published. However, it is already possible to discern some trends that have affected the country's production capacity, which have put pressure on the evolution of Angola's public and external accounts (expenses), and the trend in monetary policy, as well as the consequent evolution of price levels.

First, on the country's production capacity, there was a significant reduction. After four consecutive years of contraction, the prospects pointed to a recovery of the economy estimated at 1.8% of the GDP in 2020, with emphasis on the oil sector, which should grow 1.5%, and the non-oil sector, which could show a recovery of 1.9%, according to the estimates of the General State Budget (OGE) for 2020.

With the spread of Covid-19 and the reduction in production capacity - which may have fallen below 70%, equivalent to two months of total confinement - the economy contracted for the fifth consecutive year with a negative growth rate of 5.1%, according to the government's latest estimates.

This performance, and in line with the estimates of the National Bank of Angola (BNA), contributed for the country to lose, between 2019 and 2020, close to USD 25 778.29 million, by producing only USD 58 441.38 million of total GDP. At this production level, Angola retreated to the GDP levels of 2007, when it had produced only USD 62,292 million of GDP.

According to the World Bank estimates, at least 1.5 million Angolans have been pushed to live below the poverty line, internationally defined at US$1.9/day, meaning that for 2021 the figure will reach 18 million Angolans below the poverty line, Equivalent to 56.4% of the population. This trend is expected to continue until at least 2022, which will reflect on the permanent effects that the reduced production levels and a continued high rate of population growth could have on the country.

Read the full article in the April issue, now available on the E&M app for Android and at login (appeconomiaemercado.com).

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