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Uma finta
 à diversificação

O pacote de medidas aprovado pelo BNA, em Abril deste ano, visando maior celeridade na aprovação de créditos pela banca comercial, tarda a dar os resultados esperados.

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Fotografia
:
Carlos Aguiar

Cinco meses após o aviso do Banco Nacional de Angola (BNA) lançado aos bancos comerciais orientando-os a conceder créditos aos produtores nacionais de determinados bens considerados essenciais, para “promover a diversificação da economia real”, o stock de crédito concedido à economia mantém-se praticamente inalterado. A banca diz que os projectos apresentados não são credíveis.

Ao contrário do resultado esperado com a medida do banco central, que visa também “reduzir a dependência excessiva da importação de bens e serviços”, a estrutura do crédito concedido ao sector privado manteve-se concentrada, até ao primeiro trimestre deste ano, em sectores que não potenciam a diversificação económica.

De acordo com os dados do BNA, referentes a 2018, sectores como o Comércio por Grosso e a Retalho, que representou um peso de 22,14% do total do crédito concedido, a Actividade Imobiliária e Alugueres e Serviços Prestados às Empresas (15,09%), Particulares (14,50%), Outras Actividades de Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais (12,43%) e o sector da Construção (12,28%), continuam na linha da frente de beneficiados com a medida em detrimento dos sectores produtivos.

E os dados actuais, também do banco central, continuam a evidenciar a mesma tendência, sendo que até ao passado mês de Julho deste ano o Comércio foi o sector que de mais volume de crédito beneficiou ao absorver cerca de 967,2 mil milhões, seguido dos Particulares com 657,4 mil milhões de kwanzas contra, por exemplo, os 259,2 mil milhões e os pouco mais de 17 mil milhões de kwanzas destinados à Agricultura e às Pescas, respectivamente.

Em Dezembro de 2018, a carteira de crédito bruto totalizou 4,16 biliões de kwanzas, um acréscimo de 14,97% comparativamente ao período homólogo, segundo os dados do BNA, indicando ainda que, em termos de moeda, o crédito em kwanzas aumentou em 128,59 mil milhões (4,49%) face ao período homólogo, correspondendo a um peso de 71,89% do total da carteira, enquanto o crédito em moeda estrangeira aumentou em cerca de 412,76 mil milhões de kwanzas (54,58%), representando 28,11% do total da carteira.

Leia mais na edição de Outubro de 2019

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